Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).


Antonio Pedro da Silva Neto¹; Ítalo de Sousa Moraes¹; Professor Orientador²

¹Acadêmicos do curso de Bacharelado em Psicologia da Faculdade Vale do Salgado, Icó-CE. 
²Acadêmicos do curso de Bacharelado em Psicologia da Faculdade Vale do Salgado, Icó-CE. 
³Professor do curso de Bacharelado em Psicologia da Faculdade Vale do Salgado, Icó-CE. 

I  1. INTRODUÇÃO
          São muitas as demandas no campo psicológico, essa faceta da vida humana pode ser prejudicada de várias formas e por variados transtornos. Dentre os muitos transtornos psicológicos a Personalidade de Borderline é um transtorno que merece atenção de acadêmicos e profissionais de Psicologia, além de estar presente nos indivíduos independente da faixa etária, classe social ou grau de escolaridade constitui um desafio para os profissionais da Psicologia. O presente estudo apresenta como tema Transtorno da Personalidade Borderline, uma análise básica sobre o assunto, elucida pontos essenciais para a compreensão dessa desordem psíquica, visando a propagação do conhecimento relacionado ao tema.
O paciente borderline é um ser frágil, às vezes cordial, amigável, competente, até envolver-se em situações difíceis, estressantes, em que aflora um padrão característico de desorganização, instabilidade da auto-imagem, humor e relações interpessoais, sendo propenso a episódios psicóticos breves em momentos de intensa ansiedade ou em situações não estruturadas, suscetível de passar por episódios de despersonalização ou desrealização (ROMARO, 2002).
            O Transtorno de Personalidade Borderline atualmente é um dos transtornos mais desafiadores para os profissionais da ciência psicológica, Vários padrões comportamentais que definem a condição são particularmente problemáticos e estão entre os mais estressantes que os terapeutas encontram (Sherian & Linehan, 1989) O indivíduos com personalidade Borderline apresentam uma variação de comportamentos que dificulta o trabalho no setting do profissional, além disso esse transtorno é pouco conhecido e apresenta uma incidência alta de suicídio. De 70% a 75% dos clientes Borderline têm uma história de, no mínimo um ato parassuicida. (Clark, Widiger, Frances, Hurt & Gilmore, 1983).
Diante então de questões tão alarmantes faz-se necessária a investigação desse transtorno visando assim facilitar ainda mais o acesso das pessoas as informações necessárias sobre o tema e propiciar através do conhecimento ferramentas necessárias para a luta contra tal transtorno. Portanto esse trabalho busca contribuir para que profissionais e acadêmicos de Psicologia venham ter acesso a informações básicas os sobre o tema.
A motivação para a pesquisa desse assunto surgiu pelo fato de muitas pessoas ainda desconhecerem tal Transtorno e por isso não sabe-se identificar e nem trabalhar da forma correta e necessária. Linehan (1987) diz afirma que poucos terapeutas estão dispostos a incumbir-se da tarefa surpreendentemente difícil de angustiante de tratar indivíduos boderline, e no entanto, essas pessoas estão entre as mais necessitadas que podem ser encontradas em um ambiente terapêutico. Portanto torna-se uma pesquisa relevante e tendo também como objetivo a contribuição para a ciência e de outros pesquisadores sobre o referido transtorno, proporcionando assim informação e capacitação.

3.    RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao longo da pesquisa foi constatada a complexidade do tema e com isso fora necessário a busca por livros e artigos dos mais variados autores, todavia foi possível um bom levantamento bibliográfico o que garantiu êxito para a pesquisa.

3.1 O QUE SÃO TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE
Os transtornos da personalidade foram introduzidos no DSM IV como categorias diagnósticas em 1980. Sua definição, segundo esse manual de classificação, apresenta as seguintes características:
“(...) Um padrão persistente de vivência intima e comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do individuo e se manifesta em pelo em duas das seguintes áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal ou controle dos impulsos (critério A). Este padrão é persistente e inflexível e abrange uma ampla gama de situações pessoais e sociais (critério B) e provoca sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em áreas importantes na vida do individuo (critério C)” (APA, 2002, p. 642)
Logo partimos do pressuposto que o profissional psicólogo se deparará com uma taxa significativa de indivíduos que apresenta algum tipo de transtorno de personalidade. Desses transtornos, o Borderline encontra-se como uma dos mais frequentes, segundo nos diz Davison (2002): Pacientes com transtorno de humor apresentam altas taxas de transtorno da personalidade Borderline, antissocial, evitativo e dependente. Transtornos de personalidade têm sido relatados em associação com transtornos alimentares, transtorno de Somatização, esquizofrenia, transtornos obsessivo compulsivo, sexuais e dissociativos. Portanto o conhecimento sobre tais transtornos tornaram as terapias mais produtivas e significativas.

3.2 O TRANSTORNO DA PERSONALIDADE BORDERLINE
    Tendo então a definição de transtorno psicológico, partimos agora para a definição do Transtorno da Personalidade Borderline. Borderline é uma junção de duas palavras inglesas Border, significa borda, limite e/ou fronteira e Line significa linha. Segundo Sadi (2011) o primeiro a usar o termo Borderline foi o psicanalista Adolf Stern, em 1938, para clientes que não melhoravam com a psicanalise clássica e não preenchiam os diagnósticos para neurose e psicose, logo percebemos a complexidade do referido transtorno. O DSM-IV coloca o transtorno da Personalidade Borderline como caracterizado por um padrão evasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos. A pessoa para estar dentro deste diagnóstico deve apresentar no mínimo cinco dos critérios expostos pelo DSM-IV. (APA 1995) Os critérios são:
·         Iniciativas exageradas para evitar o abandono real ou imaginário.
·         Padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizados por alternância entre extremos de idealização e desvalorização
·         Perturbação do senso de identidade: instabilidade em relação à auto-imagem ou à percepção de si mesmo de modo marcado e persistente
·         Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais
·         Comportamento suicida recorrente; gestos, ameaças ou comportamento de automutilação.
·         Instabilidade afetiva devido à reatividade marcante do humor
·         Sensação crônica de vazio
·         Raiva inapropriada e intensa ou dificuldade para controlá-la
·         Ideação paranoide passageira e relacionada ao estresse ou a sintomas dissociativos graves.
De acordo com Kaplan & Saddock (1998) o diagnostico deve efetivar-se antes dos 40 anos, quando os pacientes devem fazer suas escolhas profissionais e pessoais e são incapazes de leva-las à cabo e enfrentar mudanças normais do ciclo vital.  Portanto faz-se necessário uma atenção especial ao individuo que apresenta as características de Personalidade Borderline. Os casos diagnosticados como Borderline são caracterizados por um alto grau de dificuldade. Krumer (2005) afirma que hoje em dia, os casos de transtorno da personalidade borderline, têm sido chamados de casos ‘difíceis’, visto que estes se referem a situações cuja as propriedades principais são a complexidade, cronicidade, o largo alcance das consequências negativas, que produzem uma elevada resistência à mudança.
Um acompanhamento profissional para um individuo diagnosticado com Personalidade Borderline é vital, para sua segurança e preservação, de acordo com Black (2004) aproximadamente 75 % desses pacientes fazem pelo menos uma tentativa de suicídio, e estima-se que 10% conseguem concretizar o ato.
Como já citado o diagnostico deve ser feito antes dos 40 anos e de conforme diz Gundenson (2000, apud Faria 2011) estima-se que a prevalência na população seja em torno de 1 - 2%, sendo que 75% dos pacientes são do sexo feminino.
3.3 CAUSAS
            Com relação as causas que proporciona o desenvolvimento da Personalidade Borderline, a pratica de anamnese pode ser de grande valia pois de acordo com Paris (2010) algumas pesquisas indicam que cerca de 70% dos casos diagnosticados como Borderline sofreram abuso sexual na infância. Portanto um levantamento dessas informações caracteriza-se como algo indispensável para a identificação das causas do referido transtorno.
 Van Der Kolk (1994) sublinha que mais da metade dos pacientes borderline tiveram histórias de abuso sexual severo, iniciando-se antes dos seis anos de idade. Isso produz um forte impacto emocional no individuo o que contribui grandemente para o surgimento da personalidade borderline. Todavia o abuso sexual não caracteriza-se como o único fator culminante no surgimento do transtorno, Minto (2012) afirma que o abuso sexual pode predispor ao transtorno de personalidade Borderline, mas parte do seu impacto é reflexo de um ambiente familiar estável, não acolhedor e não educativo. Portanto um bom ambiente familiar caracteriza-se como fator importantíssimo na prevenção desse transtorno. Salzman (1997, apud BRADLEY... [et al], 2010) sugere que a vinculação insegura as figuras parentais, junto a ambientes familiares emocionalmente instáveis ou negligentes, pode explicar o Transtorno da Personalidade Borderline, enquanto que o abuso físico ou sexual pode determinar a gravidade dos sintomas.
            De fato, alguns estudos de seguimento, a associação de personalidade Borderline com características antissociais e narcisistas são frequentes em pacientes borderline com história de encarceramento e conflitos legais graves. E quanto aos antecedentes evolutivos, a presença de acontecimentos traumáticos durante a infância e a adolescência, incluindo o abuso sexual ou psicológico, que são também claros indicadores de mal prognóstico (Belloch, 2002).
3.4 TRATAMENTO
    Com relação ao tratamento aos indivíduos diagnosticados com Personalidade Borderline é conhecida a dificuldade dos profissionais diante dos referidos casos, um dos fatores mais prejudiciais ao acompanhamento psicoterápico é o abandono frequente dos indivíduos Borderline as psicoterapias. De acordo com Zimerman (2004), dentre as dificuldades que essa estrutura de personalidade impõe ao trabalho psicoterápico, tem-se a inconstância de sua adesão ao tratamento, com diversas tentativas de “sabotagem” do processo; a tentativa de perverter os objetivos do tratamento, utilizando o para fins diversos do que se concebe como uma melhora (ganho secundário da doença); a tentativa de formação de vínculos não terapêuticos e de intimidade com o terapeuta; a dificuldade em sustentar os progressos do tratamento, pois estes põem em risco seu status de dependência e controle; a dificuldade em sustentar a agressividade e angústia projetada no terapeuta, dentre outros entraves.
Tanesi (2007) diz que em uma revisão sistemática, conclui que os problemas encontrados em pacientes com transtorno de personalidade borderline podem ser aliviados com tratamentos que envolvem conversa ou comportamentais, mas todas as terapias ainda estão na fase experimental.
Vieira Junior (1998) diz que a terapia deve buscar aliviar os sintomas angustiantes e propiciar a alteração de alguns padrões de personalidade que se mostram pouco adaptativos. O paciente deve ser levado a ter contato com suas distorções cognitivas e dinâmicas, corrigir deficiências egóicas e fortalecer habilidades sociais e fazê-lo usar a seu favor suas funções egóicas mais estáveis.
Um dos programas terapêuticos integrativos para o tratamento do Transtorno, que tem alcançado maior difusão e tem empiricamente validado é a Terapia Comportamental Dialética de Linehan (2010). Sadi (2011) afirma que essa terapia é enfatiza a relação terapêutica e os comportamentos que interferem na terapia. A relação terapêutica assume um lugar de destaque, principalmente com clientes suicidas, conforme afirma Linehan (2010). Esta relação pode ser de suma importância para os indivíduos com traços suicidas pois cria-se uma vinculo terapeuta-cliente que o sustenta e o preserva. Não é possível haver muita evolução em uma terapia com clientes borderline sem antes se estabelecer uma relação terapêutica forte, confiável e colaborativa. (Kehrer & Linehan, 1999; Linehan 2010). Porém Linehan (2010) afirma que o terapeuta comportamental dialético deve ter algumas características cruciais, que são: ter compaixão, persistência, paciência, uma crença na eficácia da terapia que supere a crença do cliente em sua ineficácia, e certa disposição a se “diminuir” e correr riscos. A população Borderline então pode ser muito beneficiada através de uma prática terapêutica em que haja a mutua participação terapeuta/cliente, isso então proporcionará um melhor tratamento para tais indivíduos. 
4.    CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante das pesquisas bibliográficas efetuadas constatou-se o êxito da pesquisa pois as questões centrais que impulsaram o desenvolvimento da pesquisa foram satisfeitas, foram encontradas dificuldades na busca de livros e artigos produzidos que serviram como material de pesquisa, por ser um transtorno complexo. Todavia foi feita uma triagem muito cuidadosa dos materiais, visando sempre a produção de um trabalho relevante e esclarecedor sobre o tema, esse trabalho pode então contribuir de maneira precisa para outros pesquisadores do referido tema.

REFERÊNCIAS
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Organização Mundial da Saúde. (1998). Classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento da CID 10. Porto Alegre, RS: Artes Médicas.
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.] ; visão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [et al.]. – 5. ed. - Porto legre :Artmed, 2014
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 8ª edição. São Paulo, SP: Editora Atlas, 2007.
ARISTIDES, Volpato Cordioli, “TOC”, Cap.1 - O Transtorno Obsessivo-Compulsivo E As Suas Manifestações – Porto Alegre: Editora Artmed, 2014.
BRAGA, Daniela Tusi. Funcionamento Neuropsicológico no transtorno obsessivo-compulsivo e respostas à terapia cognitivo-comportamental em grupo. Tese (Pós-graduação em Psiquiatria), 2011, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, programa de pós-graduação em psiquiatria, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2011.
CHRISTINA H Gonzalez. Aspectos genéticos do transtorno obsessivo-compulsivo, Rev Bras Psiquiatr, 2001.
JENIKE, M. A. (2004). Obsessive-compulsive Disorder. New England Journal of Medicine, 350, (3) 259-265.
CORDIOLI, Aristides Volpato. Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo/ Aristides Volpato Cordioli. – 2ª Edição. – Porto Alegre: Editora Artmed, 2008.
VILELA, Ana Luisa Miranda. O Sistema Nervoso. (2009). Disponível em: < http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso3.asp >. Acesso em 21 de outubro. 2015.
WILSON e BRANCH, Terapia cognitiva comportamental para leigos / por Rob Wilson e Rhena Branch; tradutora Lia Gabriele. – Rio de Janeiro: Alta Book, 2011.

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