Poema: Esquizofrenia.


Um dia desses ouvi que não sou esquizofrênica, que estou esquizofrênica!
Então, estando esquizofrênica, posso transgredir,
Mudar conceitos pré-estabelecidos.
Ver tudo de uma só cor,
Viajar pelas estrelas, subindo pelo teto do meu quarto.
Ter amigos naturais, irreais, sobrenaturais...
Ter sussurros e vozes em meus ouvidos, sem que ninguém escute.
Ser eu e ser outra,
Poder viajar sem ter comprado passagem,
Ir a lugares onde só eu e eu estivemos.
Atravessar portas, janelas, muros e paredes.
Falar com aquela pessoa ao telefone. Mesmo com ele no gancho.
Ser bela e ser horrível.
Ver o riacho correr até o mar...
Ver o passado, estar no passado. Sem lá ter estado.
Ser perseguida e perseguir.
Ter toda coragem do mundo.
Sentir a falta de coragem.
Ser só e nunca estar só, sempre estar acompanhada,
Ser iludida por falsas ilusões.
Ter esperanças do que não posso esperar.
Ser criativa, sem ter necessidade de criar, nem obrigação.
Sonhar, delirar, alucinar, sem precisar decifrar.
Pensar como criança, ler livros de criança, ter a doçura de criança.
Mas e no dia que deixar de estar esquizofrênica o que eu serei?
O que estarei?
Estarei feliz?


Por Dina Doiche em Julho de 2007.

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Referências:

Unknown

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